Como prevenir o coronavírus em ambientes fechados, com Dr. Roger Pirath Rodrigues

Reportagem CAPA do portal de notícias NSC Total com o médico fundador do Projeto Movimento Seguro, Pneumologista Dr. Roger Pirath Rodrigues. Veja as recomendações do especialista.


O risco de contaminação pelo novo coronavírus torna-se maior em algumas circunstâncias como aglomeração de pessoas e permanência em ambientes fechados. Se o primeiro fator já foi bastante divulgado para a maioria das pessoas e é desestimulado com as medidas de restrição que impedem eventos com público, embora haja descumprimentos, a segunda variável que pode aumentar o risco de infecção pela covid-19 ainda passa despercebida para algumas pessoas e exige cuidados.

O pneumologista Roger Pirath Rodrigues, do Hospital Universitário da UFSC, explica que a baixa circulação de ar em ambientes fechados aumenta o risco de contaminação por covid-19. Ele cita como exemplo um surto recente registrado em uma cidade catarinense entre corretores de imóveis depois que estiveram juntos em uma sala de reuniões de uma imobiliária.

– Em ambientes mal ventilados, que não têm janela, como uma sala de reuniões ou um call center, ou onde a ventilação é só por ar condicionado, o risco é muito alto porque tem se visto cada vez mais que há possibilidade de transmissão por aerossol. Ou seja, o vírus pode ficar em ambiente fechado circulando por horas. É uma situação que explica porque há uma alta transmissibilidade – detalha.

O pneumologista cita outros exemplos de estudos de caso de contaminação por covid-19. Um deles, citado em reportagem do El País, ocorreu em um call center de Seul, na Coreia do Sul, onde trabalhadores atuavam agrupados em mesas de 13 pessoas e não havia ventilação externa.


No local, de 137 funcionários, 79 (57,6%) testaram positivo para covid-19 após o aparecimento dos primeiros casos. Em outras salas do mesmo andar, no entanto, houve apenas cinco casos e, nos outros andares, somente três. Nesse caso, a permanência no mesmo espaço fechado por muito tempo foi considerado fator preponderante para a contaminação dos funcionários.


Outro exemplo ocorreu em um restaurante na China, onde pessoas que ficaram em mesas com mais de dois metros de distância se contaminaram. A suspeita é de que o vírus tenha permanecido suspenso no ar e sido transportado pelo fluxo do ar condicionado.


No início do mês, a associação médica do Texas, nos Estados Unidos, divulgou um ranking de risco de contaminação por covid-19 em atividades do dia a dia. Segundo o levantamento, atividades como frequentar academia, ir ao bar, ao cinema, assistir a um concerto de música, jogo de futebol ou culto religioso seriam as atividades de risco alto. A maioria tem em comum o fator aglomeração ou a permanência em ambientes fechados.

O ranking lista as faixas de risco para um momento de retomada pós-pandemia, algo que em Santa Catarina ainda não faz parte da realidade por conta do aumento de casos no Estado. O estudo também lista atividades ao ar livre que vêm sendo registradas em cidades catarinenses, como caminhar e ir à praia, como risco moderado.

Apesar dessa classificação, o pneumologista do hospital universitário da UFSC afirma que se os locais sem ventilação precisam de atenção constante, nas atividades ao ar livre a chance de contaminação chega a ser 18 vezes menor que em ambientes fechados.


– A praia por si só tem risco baixo. A questão é a aglomeração. Nos Estados Unidos, virologistas já estão considerando praia como risco baixo, por ter brisa, circulação enorme de ar, além de sol e calor, que são fatores que minimizam o risco. Os grupos médicos só dizem que não se pode aglomerar – detalha o pneumologista.


Recomendações ao frequentar locais fechados

Restaurantes: procure sempre mesas de rua, onde o risco é considerado menor. Mantenha o afastamento e use a máscara, retirando-a apenas no momento da refeição.

– Não adianta estar em mesa de rua e aglomerado. São dois fatores de risco, ambiente interno e aglomeração. Quando um deles está presente, o risco sobe bastante – explica o pneumologista Roger Pirath Rodrigues, do Hospital Universitário da UFSC.

Academias: se houver circulação de ar e ventilação externa, o local pode não oferecer tanto risco. No entanto, a maioria desses estabelecimentos é de locais bastante fechados, o que pode aumentar o risco de contaminação. Nesses casos, a recomendação é usar a máscara e tentar permanecer pouco tempo nos espaços.

Lojas: no caso de quem precisa ir até estabelecimentos comerciais, o ideal também é tentar reduzir o tempo de permanência. A orientação é que a pessoa entre na loja, compre e vá embora. Assim, ficaria pouco tempo exposta. Onde for possível, o ideal é manter a circulação de ar.

Visitas: se for necessário visitar alguém, o pneumologista recomenda que se deixem todas as janelas abertas para permitir a circulação de ar, mesmo que isso deixe o local mais frio. Isso evita que o vírus possa ficar suspenso no ar, possível forma de circulação do vírus que é abordada em estudos recentes.

Elevador: por ser pequeno e sem ventilação, o elevador é considerado espaço de risco altíssimo. Por isso, a orientação é de que apenas uma família use o equipamento por vez. Mesmo sozinho, o morador deve usar máscara para evitar o risco de contaminar pessoas que forem usar o elevador posteriormente.

Salas de reuniões e espaços fechados: manter sempre que possível as janelas abertas ou alguma forma de circulação do ar, manter distanciamento entre funcionários e tentar permanecer pouco tempo no ambiente com outras pessoas.

Manter o distanciamento e os cuidados básicos: seja em ambientes internos ou externos, a recomendação é manter medidas como o distanciamento mínimo de 1,5 metro, usar a máscara e higienizar as mãos com frequência, que ajudam a reduzir o risco de contaminação pela covid-19.


Fonte:https://www.nsctotal.com.br/noticias/o-risco-de-ambientes-fechados-na-contaminacao-pelo-novo-coronavirus-e-como-se-proteger



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